quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

"A burguesia e seu poder produtivo'' – "Tudo que é sólido, desmancha no ar"


"Tudo que é sólido, desmancha no ar" - Marshall Berman A burguesia e seu poder produtivo - A BURGUESIA E SEU PODER PRODUTIVO

Um livro, que então, ironicamente, aborda a modernidade segundo Marx, reencenando o destino da sociedade que ela mesmo descreve, gerando as ideias que desmancha no seu próprio ar.
Tudo que o que é construído pela sociedade burguesa, é feito para que rapidamente seja desfeito, ou destruído. 

"Tudo que é sólido - das roupas sobre nossos corpos e aos teares e fábricas que as tecem, aos homens e mulheres que operam as máquinas, às casas e aos bairros onde vivem os trabalhadores, ás firmas e corporações que os exploram, ás vilas e cidades, regiões, inteiras e até mesmo as nações que as envolvem - tudo isso é feito para ser desfeito amanhã, despedaçado ou esfarrapado, pulverizado ou dissolvido, a fim de que possa ser reciclado ou substituído, na semana seguinte e todo processo possa seguir adiante, sempre adiante, talvez para sempre, sob formas cada vez mais lucrativas". p.91
Eu diria, lucrativas e inconstantes (quem já leu Zygmunt Bauman, faz ideia da magnitude, dos pensamentos de Berman). 

Marx não se interessa nas coisas criadas pela burguesia, o interesse é pelo processo produtivo, os poderes e as expressões de vida humana. Em "O manifesto", Marx expressa algumas das mais profundas percepções da cultura modernista e, ao mesmo tempo, dramatiza algumas de suas mais profundas contradições internas. Para Marx, os burgueses foram "os primeiros a mostrar do que a atividade humana é capaz. (...) Sua vocação para atividade se expressa em primeiro lugar nos grandes projetos de construção física (...) "a burguesia algumas vezes inspirou, algumas vezes forçou com brutalidade, algumas vezes subsidio, e sempre explorou" p.91

Marx não quer dizer que, eles foram os primeiros a celebrar a ideia de vida ativa. Isso já foi tema central da cultura Ocidental. 

A burguesia e seu poder produtivo, segundo Marx
"A burguesia em seu reinado de apenas um século, gerou poder de produção mais massivo e colossal do que todas as gerações anteriores reunidas. Submissão das forças da natureza do homem, maquinário, aplicação da química, à agricultura, e à indústria, navegação a vapor, ferrovias, populações inteiras, expulsas de seus habitat". 

Apesar de todos os maravilhosos meios de atividade desencadeados pela burguesia, a única atividade que de fato conta, para seus membros, é fazer dinheiro, acumular capital, e armazenar excedentes. Sendo, o poder de produzir, a primeira grande realização da burguesia, a segunda é dada no campo da exploração do homem, Berman denomina como: "capacidade e esforço humano para o desenvolvimento" p.93

A segunda grande realização da burguesia, nas palavras de Marx: 
"Todas as relações fixas, imobilizada, (...) são descartáveis, todas as novas relações, tornam-se obsoletas. Tudo o que é sólido se desmancha no ar, tudo o que é sagrado é profanado" p. 93.

A destruiria banalidade que o niilismo burguês imprimi à vida.

"Males do princípio "sem princípios" da livre troca"
Marx, reconhece o poder da burguesia, e claro, tece sua crítica, onde afirma que "a burguesia transmudou toda honra e dignidades pessoais em valor de troca; e em lugar de uma liberdade sem princípios, a livre troca". Tal "livre troca", trata-se do poder do mercado interferindo diretamente na vida do homem moderno. Para Marx as velhas formas de dignidade e honra não estão mortas, apenas foram transformadas em mercadoria, "ganham etiquetas de preços", tornando-se valiosa, tudo que pagar bem, terá livre curso. 


















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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

AS MÃOS DA MEMÓRIA: Em São Petersburgo, quando ainda se chamava Leningrado, conheci a história da ressurreição da cidade por Eduardo Galeano


AS MÃOS DA MEMÓRIA: Em São Petersburgo, quando ainda se chamava Leningrado, conheci a história da ressurreição da cidade por Eduardo Galeano


Foto montagem: Leningrado em 1941, atual São Petersburgo, foto tirada em 2012. Voluntários vão para o front.

Em São Petersburgo, quando ainda se chamava Leningrado, conheci a história da ressurreição da cidade. 



Ela tinha sido assassinada pelas tropas de Hitler, em 1941 e 1944. Depois de novecentos dias de bombardeios contínuos e um bloqueio implacável, era uma imensa ruína, habitada por fantasmas, a cidade que tinha sido rainha do Báltico, a capital de Rússia de czares e berço da revolução comunista.




Vinte anos depois daquela tragédia, pude comprovar que a cidade tinha tornado a ser o que havia sido. Seus habitantes tinham fundado a cidade novamente, pedacinho a pedacinho, dia após dia. As plantas do projeto de reconstrução vinham das fotos, dos desenhos, das velhas reportagens e dos depoimentos dos moradores de cada bairro.




A cidade tinha nascido de novo, parida pela memória de sua gente.








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1933: A nomeação de Adolf Hitler como primeiro ministro da Alemanha por Eduardo Galeano


(1933) A nomeação de Adolf Hitler como primeiro ministro da Alemanha por Eduardo Galeano

JANEIRO
30

Os famosos discursos inflamados de Hitler, tal como o uso dos meios de comunicação existentes à época foram poderosos instrumentos de propaganda usados pelo governo nazista. 

A CATAPULTA

Em 1933, Adolf Hitler, foi nomeado primeiro ministro da Alemanha. Pouco depois, celebrou um ato imenso, como correspondia ao novo dono e senhor da nação.

Modestamente, gritou:
- Eu estou fundando a Era da Verdade! Desperta Alemanha! Desperta!
e os rojões, os fogos de artifício, os sinos das igrejas, os cânticos e as ovações multiplicaram os ecos.

Cinco anos antes, o partido nazista havia conseguido menos de 3% dos votos.
O salto olímpico  de Hitler rumo ao topo, foi tão espetacular como a simultânea queda, rumo aos abismos, dos salários, dos empregos, da moeda e de todo o resto.

A Alemanha, enlouquecida pelo desmoronamento geral, desatou a caça aos culpados: os judeus, os comunistas, os homossexuais, os ciganos, os débeis mentais e os que tinham a mania de pensar além da conta.










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Título na Netflix: La Segunda Guerra Mundial a todo color (World War II in color)


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Título na Netflix: La Segunda Guerra Mundial a todo color (World War II in color)


A série é organizada por meios de vídeos, que foram restaurados em cores, a série possui apenas 01 temporada, com 13 episódios.

Episódio 01- A tempestade se avizinha
Episódio 02- Guerra-relâmpago
Episódio 03- Grã-Bretanha contida
Episódio 04- Hitler ataca o leste
Episódio 05- Sol nascente desenfreado
Episódio 06- Mediterrâneo e o Norte da África
Episódio 07- Virando a Maré
Episódio 08-  O rolo compressor soviético
Episódio 09- Senhor
Episódio 10- Fechando o cerco
Episódio 11- Guerra na Ilha
Episódio 12- Vitória na Europa
Episódio 13- Vitória no pacífico


Clique aqui, e assista pela Netflix. 





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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

“Não queremos fogos em nosso quintal” – Ronald Reagan e as ações intervencionistas dos Estados Unidos na América Latina



“Não queremos fogos em nosso quintal” – Ronald Reagan e as ações intervencionistas dos Estados Unidos na América Latina

“O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil.” A frase do embaixador Juracy Magalhães era usada para ironizar os “entreguistas” nos anos 1970 a 90. O Brasil não é o único país latino a sofrer as interferências de ordem política e econômica, no decorrer do texto, são citados alguns (mas, nem todos) dos países que também sofreram intervenções.  
Há mais de um século a América Latina constituiu uma região onde a influência norte americana é muito grande. Qualquer problema que ocorra na região interessa, em maior ou menor grau, à grande potência do norte. Seus sucessivos governantes têm considerado a América Latina como uma área de importância vital aos seus interesses econômicos, políticos e estratégicos. 

Ronald Wilson Reagan foi um ator e político norte-americano, o 40.º presidente dos Estados Unidos e o 33.º governador da Califórnia.
Os Estados Unidos, promoveu ações em diversos países, de diferentes continentes, inclusive. Cabe a esta síntese, elencar as intervenções realizadas na década de 1980, no período em que Reagan ficou no poder, como presidente dos Estados Unidos.
O que se sabe, o Brasil também sofreu (e até hoje) intervenções do governo norte-americano, porém, não será citado no texto abaixo.

Durante os dois mandatos consecutivos exercidos por Ronald Reagan (1981/1989), algumas das velhas práticas intervencionistas voltaram a ser utilizadas pelos Estados Unidos.
Em 1982, os Estados Unidos apoiaram decisivamente a Grã-Bretanha para reconquistar as Ilhas Malvinas (ou Falklands). Essas ilhas, a aproximadamente 500 quilômetros da costa sul da Argentina, passaram a ser objeto de litígio entre as duas nações desde o século passado. Esse apoio dado à Grã-Bretanha abriu uma espécie de fosso entre os Estados Unidos e os países latino-americanos, que em sua maioria, apoiaram a Argentina. Essa ajuda feria a essência do Tratado Interamericano de Ajuda Recíproca (Tia, ou Pacto do Rio), de 1949, cujo principal objetivo era estabelecer a defesa mútua dos Estados Unidos do continente em caso de agressão extracontinental.

Página: 12. 
Outra prática intervencionista aconteceu a partir de 1981, quando o governo norte americano, passou a apoiar grupos armados de oposição, que lutavam contra o governo de esquerda que estava no poder na Nicarágua.

Em 1983, atendendo ao apelo de uma obscura organização de países das Pequenas Antilhas, a Organização dos Estados Unidos do Caribe Oriental, os Estados Unidos enviaram seus marines e ocuparam a ilha de Granada. Esse pequeno país era acusado de estar se transformando numa base logística de Cuba e da União Soviética.

Já nos casos de  El Salvador e Guatemala, onde guerrilhas de esquerda teve dupla atuação: forneceu, de um lado, ajuda para conter a expansão da guerrilha e, de outro, incentivou a substituição desses regimes autoritários por governos civis, eleito pelo voto, mas totalmente afinados com o governo norte-americano.

Em 1986, os Estados unidos, tentavam evitar que governos extremamente impopulares, mas aliados, fossem derrubados por revoluções que colocassem no poder governantes hostis a seus interesses. “Novas Nicarágua”, não seriam permitidas em hipótese alguma.

A última grande intervenção norte-americana dos anos 80, ocorreu na última semana de 1989, com a invasão do Panamá, pelas Forças Armadas dos Estados Unidos.

Se durante a década de 1980, a América Latina marcou passo no campo econômico, no campo político assistiu a uma verdadeira “festa da democracia”. No final dessa década, as ditaduras (tanto civis, como militares), espécie de marca registrada dos regimes latino-americanos, tinham praticamente desaparecido do continente.



Cartaz: Ronald Reagan e Margaret Thatcher com base no cartaz de filme para "Gone with the Wind". Muito popular na época era um cartaz, que ironiza "o relacionamento especial, entre Reagan e Thatcher. O cartaz parodiando o filme Gone With the Wind, representava Thatcher nos braços de Reagan.
A ideia por trás desse cartaz era que todos nós iremos embora com o vento por causa de um inverno nuclear provocado por esses guerreiros. O cartaz original é referente ao filme, "E o vento levou", que mostra a vida da bela petulante do sul, Scarlett O'Hara. Começando pela expansão de uma plantação extensa, o filme traça sua sobrevivência na trágica história do sul durante a Guerra Civil e Reconstrução. Mostra, ainda, seus casos de amor com Ashley Wilkes e Rhett Butler.












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Na íntegra: “A sociedade do medo” – Zygmunt Bauman



Na íntegra: “A sociedade do medo” – Zygmunt Bauman

O capítulo 03, do livro utilizado, é uma entrevista, portanto, o texto inicia com uma das questões do capítulo.


Bauman (colagem: Academia de Belas Artes de Varsóvia)

Estamos em uma época em que as medida de segurança que adotamos só geram mais insegurança. Somos diariamente perseguidos pelos mais diferentes tipos de medo. Entre as ameaças, está a de ficar para trás, ser substituído, não acompanhar o ritmo das mudanças. Estudar os medos contemporâneos é tocar num dos pontos centrais da modernidade líquida?

BAUMAN: Os medos agora são difusos, eles se espalham. É difícil definir e localizar as raízes deste medo, já que os sentimos, mas não os vemos. É isso que faz com que os medos contemporâneos sejam terrivelmente fortes, e seus efeitos sejam difíceis de amenizar. Há os trabalhos instáveis; as constantes mudanças nos estágios da vida; a fragilidades das parcerias; o reconhecimento social só é dado “até segunda ordem” e sujeito a ser retirado sem aviso prévio; as ameaças tóxicas, a comida venenosa ou com possíveis elementos cancerígenos; a possibilidade de falhar num mercado competitivo por causa de um momento de fraqueza ou de uma temporária falta de atenção; o risco que as pessoas correm nas ruas, a constante possibilidade de perda dos bens materiais etc.

Os medos são muitos e diferentes, mas eles eliminam uns aos outros. A combinação desses medos cria um estado na mente e nos sentimentos que só pode ser descrito como ambiente de insegurança. Nós nos sentimos inseguros, ameaçados, e não sabemos exatamente de onde vem esta ansiedade nem como proceder.

Os medos não têm raiz. Essa característica líquida do medo faz com que ele seja explorado política e comercialmente. Os políticos e vendedores de bens de consumo acabam transformando esse aspecto em um mercado lucrativo. O comum é tentar reagir, fazer alguma coisa, buscar desvendar as causas da ansiedade e lutar contra as ameaças. Isso é, conveniente do ponto de vista político ou comercial. Tal atitude não vai curar a ansiedade, mas alimentar essa indústria do medo. Adquirir bens para obter segurança só alivia uma parte da tensão e mesmo assim, por breve tempo.


Para o governo e o mercado, é interessante manter acesos esses medos e, se possível, até estimular o aumento da insegurança. Como a fonte de ansiedades parece distante e indefinida, é como se dependêssemos dos especialistas, das pessoas que entendem do assunto, para mostrar onde estão as causas do sofrimento e como lucrar com ele. Não tem como testar a verdade que nos contam. O mesmo ocorre quando nossos líderes políticos nos falam que Saddam Huseeis tinha armas de destruição em massa e estava pronto para detoná-las e quando nos diem que que nossas preocupações e problemas acabarão se os emigrantes forem mandados para casa. A natureza dos medos líquidos contemporâneos ainda abre um enorme espaço para as decepções políticas e comerciais.

Medo Líquido é a tentativa de Zygmunt Bauman em descrever alguns aspectos do medo na modernidade líquida. Além das análises do momento histórico atual, algumas categorias muito importantes são explicadas.



























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sábado, 30 de dezembro de 2017

CHARGE/ILUSTRAÇÃO: Os Estados Unidos na Divisão Internacional do Trabalho


CHARGE/ILUSTRAÇÃO: Os Estados Unidos na Divisão Internacional do Trabalho


As grandes empresas capitalistas dos países industrializados detinham ( e continuam) o controle das infraestruturas (indústrias de bens de produção), orientando, é claro, a produção para seus interesses econômicos, sem se preocuparem a mínima com o desenvolvimento industrial dos outros países. Lembrando que, não é somente os EUA que possui tal influência.


Ilustração: Capitalismo para principiantes. Carlos Eduardo Novaes. página: 131. 







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